Identidade Visual do Festival 2026

A arte é a rebelião contra a realidade.

Albert Camus

A identidade visual do Estação Viva Festival parte da célebre afirmação do escritor existencialista Albert Camus — “A arte é a revolta contra a realidade” — para propor uma reflexão sobre o papel da criação artística num tempo em que a própria noção de realidade se tornou permeável. Se, por um lado, a arte sempre teve a capacidade de transcender o mundo material e de sugerir sentidos que ampliam a sensibilidade e a experiência humanas, por outro, vivemos hoje um momento em que as fronteiras entre o real e o fabricado se tornaram profundamente instáveis. Isto porque as inteligências artificiais generativas inundaram o nosso imaginário visual, levando-nos a questionar se aquilo que vemos existe verdadeiramente.

É neste terreno de incerteza que nasce o conceito visual do festival de 2026. Mantendo o diálogo com o cartaz da edição anterior — centrado na paisagem rural de Canelas —, mas explorando a ideia apresentada, introduz-se um elemento que perturba silenciosamente a perceção: um trator adaptado como instalação artística no meio da paisagem.

Trata-se de uma imagem gerada digitalmente, construída para habitar simultaneamente o campo do possível e o território da dúvida. A familiaridade do objeto contrasta com a estranheza da sua intervenção estética; a rusticidade do ambiente dialoga com o artifício tecnológico da criação; e o resultado é um convite ao desconforto criativo.

A intenção é gerar um jogo perceptivo em que o público se veja levado a interrogar a própria imagem. O trator existe? Foi realmente instalado ali? Faz parte da paisagem ou apenas da imaginação tecnológica? Ao provocar esta dúvida, a identidade visual revela a força do festival: situar-se no limiar entre o real e o inventado, entre o palpável e o simbólico, entre a memória rural da região e a experimentação contemporânea. Afinal, como disse o poeta Murilo Mendes, só não existe o que não pode ser imaginado.

Deste modo, o Estação Viva Festival reafirma Canelas como um território fértil para uma arte que questiona, tensiona, reinventa e propõe novos olhares sobre o território e a memória local. Uma arte que, como defendia Camus, se revolta contra a realidade — não para a negar, mas para a abrir a novas formas de ver, pensar e existir.

Imagens de Referência

Découpage

Processo ternário de abstração.

Pinturas geradas para explorar a fronteira com o real nas artes.

Imagens geradas para explorar a fronteira com as arte no real.

Resultado Final

Variações

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